Profeta

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

REENCARNAÇÃO - O MEDO DE MORRER

POR:MARCOS ROBERTOO medo não é uma perturbação psicológica. Ele é parte da nossa própria alma

O medo tem muitas faces. Lembro-me de que, bem pequeno ainda, acordei chorando, imaginando que um dia eu estaria sozinho no mundo. Foi uma dura experiência de abandono. Tive medo de não ser capaz de ganhar a minha vida quando meu pai e minha mãe morrer,

O rosto do medo mudou. Mas o sentimento continua o mesmo. Tenho medo da solidão. Há uma solidão boa. É a solidão necessária para ouvir música, ler, pensar, escrever. Mas há a solidão do abandono traz o

isolamento que pode torná-la refém de sua subjetividade, asfixiada por seus fantasmas, preconceitos, ignorância.

Tenho medo da degeneração estética da velhice. Tenho medo que um derrame me paralise, deixando-me sem meios de efetivar a decisão que seria sábia e amorosa. Tenho medo da morte. Antigamente esse medo me atormentava diariamente. Depois ele se tornou gentil. Ficou suave. Passei a compreender que a morte pode ser uma amiga.

Somos iguais aos animais, em que as mesmas coisas terríveis podem acontecer a eles e a nós. Mas somos diferentes deles porque eles só sofrem como se deve sofrer, isto é, quando o terrível acontece.

A pomba, que por medo do gavião, se recusasse a sair do ninho, já se teria perdido no próprio ato de fugir do gavião. Porque o medo lhe teria roubado aquilo que de mais precioso existe num pássaro: o vôo. Quem, por medo do terrível, prefere o caminho prudente de fugir do risco, já nesse ato estará morto. Porque o medo lhe terá roubado aquilo que de mais precioso existe na vida humana: a capacidade de se arriscar para viver o que se ama.

E nós, tolos, sofremos sem que ele tenha acontecido. Sofremos imaginando o terrível. O medo é a presença do terrível-não-acontecido, se apossando das nossas vidas. Ele pode acontecer? Pode. Mas ainda não aconteceu e nem se sabe se acontecerá ou quando.

O medo de morrer tem tudo a ver com o medo de viver. Até porque viver não é nada fácil. Principalmente, nestes tempos modernos. De banalização e de nenhuma importância da vida humana. Isso é ser moderno? Prefiro então o tempo das cavernas. Quem não pensa na sua morte todos os dias, está definitivamente negligenciando a própria vida. Parece sinistro, mas não é. Com o tempo, e percebo em mim, a gente vai trazendo mais a morte para dentro de nós. Eu penso na morte todos os dias, sem mentira nenhuma.

A pergunta a respeito do que acontece depois da morte pode ser confusa. A Bíblia não é explícita quanto ao momento exato no qual alguém vai alcançar seu destino eterno e final. A Bíblia nos diz que depois do momento da morte, a pessoa é conduzida ao Céu ou Inferno com base no fato de ter ou não recebido Cristo como seu Salvador. Para os crentes, o período após a morte significa estar ausente do corpo e presente com o Senhor (II Coríntios 5:6-8; Filipenses 1:23). Para os não crentes, o período após a morte significa punição eterna no Inferno (Lucas 16:22-23).

Exatamente neste ponto é que se faz confusa a questão a respeito dos acontecimentos depois a morte. Apocalipse 20:11-15 descreve todos os que estiverem no Inferno sendo lançados no lago de fogo. Os capítulos 21 e 22 de Apocalipse descrevem um Novo Céu e Nova Terra. Por isso, o que parece é que, a partir do momento após a morte até a ressurreição final, a pessoa reside em um Céu ou Inferno “temporários”. O destino final da pessoa não mudará, mas o “local” preciso no qual passará este destino mudará. Em algum momento depois da morte, os crentes serão enviados ao Novo Céu e Nova Terra (Apocalipse 21:1). Em algum momento depois da morte, os não crentes serão lançados no lago de fogo (Apocalipse 20:11-15). Estes são os destinos finais e eternos de todas as pessoas – totalmente baseados no fato de cada pessoa ter ou não confiado somente em Jesus Cristo para salvação de seus pecados.

O tempo, a vivência dos anos vai fazendo com que aceitemos a morte. E o principal: que vamos morrer e que não é só os outros que morrem. Eu também morrerei e morro todos os dias.É interessante que, quando morre alguém um pouco mais próximo, aí é que eu penso mais na minha morte. Penso mais ainda (nos meus amigos e familiares),mas me pergunto o que há - se é que há alguma coisa - além do túmulo. Será a morte o fim da existência, uma entrada para a eternidade ou um estágio intermediário entre as vidas terrestres? Alguns ensinam que a alma reencarna em diferentes corpos e aproximadamente 25% dos americanos acreditam nisso. Por que tantas pessoas acreditam em reencarnação?


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Reencarnação é uma ideia central de diversos sistemas filosóficos ereligiosos, segundo a qual uma porção do Ser é capaz de subsistir à morte do corpo. Chamada consciência, espírito ou alma, essa porção seria capaz de ligar-se sucessivamente a diversos corpos para a consecução de um fim específico, como o auto-aperfeiçoamento ou a anulação do carma.


Todas as vezes que tive a oportunidade de fazer essa pergunta a alguém, escutei respostas diferentes. Quando disseram que sim, os medos mais comuns eram: sofrer uma dor incontrolável, ser humilhado, ficar dependente, separar-se de pessoas queridas ou sentir-se arrependido por ter vivido inutilmente. Mas o maior medo era o de sentir o próprio medo.

Sob um aspecto mais geral, o medo da morte é o resultado de um tabu.
Se tivéssemos mais familiaridade com a própria idéia da morte, não a veríamos sob o manto da tragédia. Quanto mais tentamos fugir de um medo, mais ele cresce.

A consciência da morte nos ensina a desfrutar a vida com mais intensidade e, ao mesmo tempo, de maneira menos dramática. Se encararmos com naturalidade o fato de que somos mortais, valorizaremos muito mais cada momento da vida.

Sob um aspecto mais sutil e profundo, não são os objetos e as situações externas que criam em nós o medo da morte, mas a idéia - ilusória - de um EU permanente e de existência inerente, que seria aniquilado com a morte.
O medo da morte, então, surge como uma atitude defensiva egóica frente a essa desintegração.

Muitos de nós estamos estancados pela idéia de reconhecer a morte como uma aniquilação. Nuland escreve em Como morremos (Ed. Rocco):
Nenhum de nós parece psicologicamente apto a lidar com o pensamento de nosso estado de morte, com a idéia de uma inconsciência permanente em que não existe vazio nem vácuo - e simplesmente não existe nada. Isso parece tão diferente do nada que precede a vida.

Temos dificuldade de sustentar a idéia de não sermos nada. Não é natural pensar em algo que não tenha continuidade. A certeza de uma continuidade após a morte ajuda-nos a lidar com o niilismo de nossa cultura materialista, em que o abstrato e o invisível não são reconhecidos como verdadeiros e possíveis.

Precisamos aprender a ver além das aparências imediatas. Temos de aceitar a existência de níveis sutis da realidade que não são concretos nem mensuráveis. Enquanto não ampliarmos a idéia acerca do que somos, teremos dificuldade para compreender que não somos apenas uma mente pensante!

Quando encaramos a morte como uma transformação e não como um fim, o medo generalizado da morte perde o seu poder sobre nós, e a energia vital, até então bloqueada pelo medo, é liberada, gerando disponibilidade e alegria de viver.

Um dos medos mais fáceis de dissolver é o relativo à dor. Com a medicação correta, pode-se controlar a dor sem obscurecer a consciência do paciente. Hoje em dia, isto já é possível.

Ao sentir medo, em geral, sentimo-nos frágeis e isolados. Mas se tivermos alguém com quem compartilhar nosso medo, logo nos daremos conta de que eles são universais, o que nos ajudará a sair do isolamento.

O Medo e a Morte são dois "indutores" poderosos, que nos levam a buscar o autoconhecimento. Refletir sobre a impermanência leva-nos a buscar com maior dedicação a vida espiritual.

Por isso, os textos budistas aconselham-nos a pensar em nossa própria morte três vezes ao dia. Se nos ocuparmos apenas com a vida material, não daremos espaço para essa prática, que faz com que estejamos prontos para o momento em que nossa morte chegar.

Reencarnação e Karma

A reencarnação oferece esperanças a muitas pessoas. Se nós não acertarmos nesta vida, teremos outra chance na próxima. Todavia, até mesmo os que acreditam em reencarnação, admitem que uma vasta maioria da humanidade não se lembra de suas vidas passadas. Como podemos aprender com os nossos erros do passado se não nos podemos lembrar deles? Parece que estamos sempre cometendo os mesmos erros, de novo e de novo. De acordo com as taxas de fracassos morais na história humana, temos alguma razão para ter esperanças de que acertaremos numa vida futura?

A teoria da reencarnação também afirma garantir justiça. De acordo com a lei do Karma (uma inflexível e impessoal regra do Universo), recebemos o que merecemos em cada vida. Nossas boas e más ações produzem bons ou maus resultados vida após vida. Com o Karma, não há supostamente nenhum sofrimento injusto, porque ninguém é inocente. Todo sofrimento é merecido, baseado no Karma ruim. O bebê que nasce sem as pernas merece isso, assim como a mulher que foi estuprada também fez por merecer. Nós todos carregamos nosso Karma para cada vida. Não há graça, nem perdão, nem misericórdia. Isso não somente é uma má notícia para aqueles que estão sobrecarregados e abatidos com o peso de sua consciência, como também entra em conflito com nosso senso moral de que alguns sofrimentos são injustos e merecem nossa piedade e ações para que possam ser aliviados.

Características

A reencarnação é um dos pontos fundamentais doEspiritismo, codificado por Allan Kardec, do Hinduísmo, do Jainismo, da Teosofia, doRosacrucianismo e da filosofia platônica. Existem vertentes místicas do Cristianismo como, por exemplo, o Cristianismo esotérico, que também admite a reencarnação.

Há referência recentes a conceitos que poderiam lembrar a reencarnação na maior parte das religiões, incluindo religiões do Egito Antigo, religiões indígenas, entre outras. A crença na reencarnação também é parte da cultura popular ocidental, e sua representação é frequente em filmes de Hollywood. É comum no Ocidente a ideia de que o Budismo também pregue a reencarnação, supostamente porque o Budismotenha se originado como uma religião independente do Hinduísmo. No entanto essa noção tem sido contestada por fontes budistas;

“A morte é a única certeza da vida. Todos morremos um dia. O medo da morte, basicamente, é o medo do desconhecido. Por isso o Espiritismo elimina nossos temores “matando” a morte, na medida em que demonstra que ela é apenas um retorno à vida espiritual, nossa pátria verdadeira.”(Richard Simonetti)

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Não tema a morte. Ela faz parte do processo evolutivo. Viva de maneira prudente, faça o bem que puder e quando soar seu momento, vá sem medo.
Mas nunca a busque ou a precipite. Tudo tem seu momento na vida e todos temos algo a fazer num tempo programado.



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